O espanhol que viaja com seguro é mulher, tem mais de 40 anos, rendimento elevado e viaja em casal para um destino fora da Europa
Madrid, 21 de julho. A Fundación InterMundial Seguros, organização sem fins lucrativos da InterMundial, corretora especializada em seguros de viagem, apresenta o relatório “Uso do seguro de viagem em Espanha”, um estudo que analisa a utilização que os viajantes espanhóis fazem das apólices de viagem. O relatório propõe uma análise aprofundada do viajante espanhol, traçando as características que diferenciam os viajantes que utilizam o seguro daqueles que não o fazem; percorre os principais destinos de viagem dos espanhóis, analisando os riscos e as precauções a ter em conta em cada um deles; e reúne os protocolos de atuação perante incidentes por parte das seguradoras, bem como os direitos e responsabilidades dos viajantes e empresas turísticas perante este tipo de situações.
Segundo o relatório, ao contrário do que acontece noutros países europeus, como o Reino Unido ou a Alemanha, onde existe uma cultura de seguro muito enraizada, em Espanha, apenas 21% dos espanhóis que viajam habitualmente deslocam-se com seguro -analisando apenas os destinos internacionais, a percentagem de contratação aumenta para mais de 25%-. Os restantes 79% viajam sem seguro ou com algumas coberturas semelhantes às das apólices de viagem incluídas noutros seguros: 51% não possui qualquer tipo de seguro, 19% confia nos seguros de viagem incluídos nos seus cartões de crédito e 9% viaja com um seguro de saúde internacional.
“O espanhol está cada vez mais consciente dos riscos que assume quando viaja e o número de viajantes com seguro cresceu exponencialmente nos últimos 20 anos”, afirma Manuel López, CEO da InterMundial. “Planeia cada vez mais, reserva com maior antecedência e informa-se melhor sobre o destino para onde viaja, pelo que é possível prever e avaliar os riscos que enfrenta”.
Perfil do viajante com seguro
Os dados analisados pela Fundación InterMundial Seguros indicam que as mulheres contratam mais seguros de viagem do que os homens, representando 23,93% das mulheres que viajam com seguro do total de mulheres que viajam, e 18,17% dos homens.
A idade influencia proporcionalmente o número de viagens, sendo os viajantes com idades compreendidas entre os 36 e os 55 anos os que realizam maior quantidade de deslocações (43,37% do total); esta relação proporcional mantém-se na aquisição de seguros de viagem, e os viajantes dos 46 aos 55 anos são os mais conscientes, viajando com seguro mais de 33%.
Quanto à origem do viajante, os madrilenos são os que mais asseguram as suas viagens (35,89% viaja com seguro; 64,11%, sem seguro), seguidos pelos das Baleares (32,58% viaja com seguro; 67,42%, sem seguro) e pelos da Cantábria (26,27% viaja com seguro; 73,73%, sem seguro). Nos últimos lugares da lista situam-se Castela-Mancha, Estremadura e Melilla; no caso de Melilla, apenas 3,18% dos que viajam contratam seguro, situando-se muito abaixo da média espanhola. Destes dados depreende-se que os espanhóis que mais contratam seguros são os que vivem em comunidades com renda per capita elevada e os residentes nas ilhas.

A maioria dos espanhóis viaja em casal ou em família. Embora as famílias sejam o grupo populacional que mais compra seguros em termos absolutos, em percentagem, apenas 18,36% dos viajantes que se deslocam com a família contratam um seguro. Por sua vez, no caso dos casais, este número aumenta para 23,66%.
Por fim, segundo o relatório, o viajante com seguro passa uma média de 5 dias em viagens dentro do território nacional, 7 dias em viagens pela Europa e 13, fora do continente. Quanto ao custo da viagem, 64,4% dos viajantes com seguro superam os 495,9 €, custo médio estabelecido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Destino da viagem
O destino é um dos fatores determinantes na hora de comprar um seguro de viagem, sendo a compra de seguros diretamente proporcional à distância do destino. Assim, enquanto para viajar pela Espanha apenas 8,61% dos espanhóis compram um seguro de viagem – face a 91,39% que viaja sem seguro –, para viagens fora da Europa o número aumenta para 31,89%. Para as viagens pela Europa, o número de segurados representa 21,51% do total de viajantes.
Desta forma, a venda de seguros de viagem no nosso país distribuir-se-ia da seguinte forma em função do destino: 16,03% para viagens dentro da Espanha, 33,36% para viagens dentro da Europa e 50,61% para viagens fora da Europa. Esta relação é inversamente proporcional à tendência de viagens dos espanhóis, que em 69,17% dos casos viajam para um destino nacional; em 27,32%, para um destino europeu; e apenas em 3,51% dos casos, para um destino mundial.
Além dos destinos para os quais é obrigatório ter uma apólice de viagem, como Cuba e Rússia, o país para o qual mais se viaja com seguro é os Estados Unidos. As viagens para países asiáticos, como Indonésia, Tailândia, China ou Japão, outros países da América, como Canadá ou Argentina, alguns países da União Europeia, como Itália, Portugal e Alemanha, e países como Marrocos ou Austrália concentram também grande parte da contratação de seguros de viagem.
Embora a recomendação do Ministério dos Negócios Estrangeiros e de Cooperação de viajar com seguro se estenda a qualquer país, determinadas circunstâncias, como sistemas de saúde com custos especialmente elevados para o viajante, destinos muito distantes que impliquem voos com escala que possam dar origem a problemas com a bagagem ou países com taxas de criminalidade altas ou que contem com meios de transporte pouco seguros, são algumas das razões que fazem com que determinados destinos concentrem a maioria das contratações de seguros de viagem. No relatório, analisam-se casos como o dos EUA, país no qual a assistência médica é especialmente dispendiosa: uma consulta médica costuma ter um custo superior a 125 €, despesa à qual seria necessário somar o valor de possíveis exames de diagnóstico e tratamentos, podendo a hospitalização atingir um custo de 4.044 € por dia.
Custo do seguro e motivos para contratá-lo
Segundo o inquérito realizado a 2.500 agências de viagens espanholas para o relatório, 19,10% dos viajantes não contrata um seguro de viagem porque o considera caro. No entanto, analisando a despesa média de uma viagem de 8 dias para destinos como Nova Iorque, Lisboa, Paris ou Tóquio, conclui-se que o custo do seguro representa apenas 3,41% em relação ao custo total da viagem.
Sobre os motivos que levam os espanhóis a contratar um seguro, a pesquisa revela que a principal razão pela qual os viajantes decidem contratar um seguro de viagem é a possibilidade de recuperar o dinheiro da reserva caso cancelem a viagem antes do início (31%). Em segundo lugar, com 26%, os viajantes que optam por contratar um seguro valorizam as coberturas para problemas com bagagem e meios de transporte, destacando o serviço de assistência 24 horas das seguradoras. O terceiro motivo (22%) para contratar um seguro de viagem são as despesas com assistência médica incluídas nestas apólices.
Segundo o relatório, o espanhol contrata o seguro com uma média de 48 dias de antecedência em relação ao início da viagem.
Principais incidentes em viagens e a sua gestão
O relatório da Fundación InterMundial Seguros estabelece que 52,08% dos incidentes em viagem estão relacionados com a saúde. Em 31,61% dos casos, o viajante necessita de assistência por parte da seguradora devido a doença ou acidente; os restantes 20,47% correspondem a incidentes de reembolso de despesas médicas. A maioria dos incidentes relacionados com doenças deve-se a casos de febre, otites, gastroenterites e outros problemas de saúde de gravidade ligeira.
O cancelamento da viagem antes do seu início e a interrupção da mesma constituem o segundo tipo de incidente em viagem mais comum entre os viajantes espanhóis (25,54%). Seguem-se, em importância, os incidentes relacionados com a bagagem, com 14,06%, sendo na sua maioria casos em que o viajante solicita um reembolso ou uma indemnização a posteriori, seja por danos, perda, roubo ou atraso na entrega das malas. Por último, os problemas relacionados com o transporte representam 6,49% dos casos: estes incidentes devem-se, em geral, a atrasos e perda de ligações ou outros serviços.

De acordo com os dados extraídos do relatório, 72,8% dos viajantes comunicam um incidente no próprio dia em que este ocorreNo que diz respeito à assistência, as ocorrências são resolvidas no momento em que acontecem e, nos casos de reembolso, 64% dos casos são resolvidos no prazo de um mês.
Ao comunicar um problema, 76% dos viajantes entram em contacto com a sua agência de viagens e apenas 24% o fazem diretamente com a central de assistência da seguradora. Este comportamento justifica-se pela relação de confiança estabelecida entre o viajante e o agente ao longo do processo de contratação da viagem.
Elaboração do relatório
Para a elaboração do relatório “Uso do seguro de viagem em Espanha”, foram utilizados os dados referentes ao ano de 2016 dos departamentos de Sinistros, Área Técnica e Comercial da InterMundial, bem como os recolhidos através do inquérito sobre a utilização do seguro de viagem realizado pela InterMundial a 2.500 agências de viagens espanholas (online e tradicionais).
O desenvolvimento deste relatório baseia-se, ainda, nos dados obtidos do Inquérito ao Turismo de Residentes, das Estatísticas de Transporte de Passageiros e dos inquéritos de ocupação turística do Instituto Nacional de Estatística, das estatísticas de passageiros da AENA, das Estatísticas de passageiros transportados pela RENFE e do Observatório do transporte de passageiros em autocarro do Ministério do Fomento, além dos dados facultados pela central de assistência da ARAG, da legislação em vigor e de outra documentação externa detalhada no mesmo.
O relatório é complementado por testemunhos de representantes do setor turístico sobre a utilização do seguro, como a Mesa del Turismo, a Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV), a Confederação Espanhola de Hotéis e Alojamentos Turísticos (CEHAT), a Associação Espanhola de Companhias Aéreas (AECA), a TUI Spain, a Barceló Viajes ou a Destinia.
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